terça-feira, 11 de novembro de 2008          
 
    O Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC) alertou hoje para a falta de horas para contratação de tarefeiros em escolas do primeiro ciclo de Cinfães, levando a que as crianças fiquem “sozinhas em vários momentos do dia”.
    Em comunicado, o SPRC explica que as horas para contratação de tarefeiros para as escolas do primeiro ciclo do ensino básico do agrupamento de Cinfães acabaram em 24 de Outubro.
    “Na expectativa de que o Ministério da Educação [ME] resolvesse este problema, o órgão de gestão do agrupamento deixou estar os tarefeiros a trabalhar até dia 07 de Novembro. Mas, sem garantias de que o ME atribua as horas necessárias, a actividade dos tarefeiros terminou”, lamenta.

    Segundo o SPRC, “tal situação leva a que as crianças fiquem nas escolas sozinhas em vários momentos do dia - por exemplo, das 8:30 às 9:00, durante o período de almoço e no final do dia”.
    “Em diversas localidades já se fala que os pais não deixarão as crianças ir às aulas uma vez que não está garantida a sua segurança e acompanhamento”, acrescenta, apontando como estando nesta situação as escolas de Fermantãos, Meridãos, Ventuzelas, Tuberais, Covelas, Boassas, Desamparados, Ferreiros, Gralheira, Vila Nova e S. Cristóvão.

    Contactado pela Agência Lusa, o presidente do conselho executivo do agrupamento, Manuel Pereira, confirmou o fim das horas para tarefeiros.

    “O agrupamento tem 21 escolas do primeiro ciclo e dez não têm auxiliar, têm sobrevivido com tarefeiras. Todos os anos nos são atribuído horas por cada período, só que para este deram-nos menos de metade das que eram necessárias”, lamentou.

    Segundo o responsável, o agrupamento precisaria de cerca de quatro mil horas para este período, mas apenas foram atribuídas 1.735.

    “A 24 de Outubro já as tinha todas gastas. Aguentei até hoje, assumindo eu a responsabilidade das horas, mas não o posso continuar a fazer, porque implica muito dinheiro”, frisou.

    Manuel Pereira contou que hoje as escolas trabalharam normalmente, e que “as tarefeiras apresentaram-se na mesma”, mas agora já por conta delas.

    “Eu não posso assumir mais essa responsabilidade. Nunca nos deram as horas todas que precisávamos. As tarefeiras sempre trabalharam mais horas do que aquelas que lhes pagam, mostrando uma grande solidariedade para connosco”, sublinhou.

    O responsável disse ter recebido a meio da tarde de hoje a garantia da Equipa de Apoio às Escolas de Moimenta da Beira de que, “para os próximos 15 dias, estará tudo resolvido”.

    Contactada pela Lusa, fonte da Equipa de Apoio às Escolas remeteu esclarecimentos para a Direcção Regional de Educação do Norte (DREN), que, no entanto, não foram prestados em tempo útil.


   
    [Fotos Agrup. Vertical Cinfães]

 
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CINFÃES: Sindicato denuncia que faltam tarefeiros em várias escolas para assegurar vigilância das crianças