quarta-feira, 3 de dezembro de 2008          
 
    A crise económica que se instalou a nível internacional está a reflectir-se nas tradicionais férias natalícias dos portugueses residentes nos Estados Unidos, Canadá e França, que este ano decidiram não passar o Natal em Portugal.
    Contactado pela Agência Lusa, João Marques, proprietário da Agência Martins, em Long Island, Estados Unidos, disse que tem quebras nas vendas na ordem de, "no mínimo, 20 por cento".

    Esta quebra, "vem a registar-se desde os dois últimos Verões por causa do elevado preço das viagens e da diferença cambial entre o dólar e o euro", disse.

    Em Waterbury, Estado de Connecticut, Manuel Batáguas, da agência One Stop, tem outra explicação para a baixa procura de viagens no final do ano.

    "As viagens são muito caras e os tempos são de crise, mas há outros factores que explicam a redução das viagens para Portugal, como o fim da emigração portuguesa para os Estados Unidos", disse.

    "Com as primeiras gerações a envelhecerem cada vez mais, que eram as que alimentavam este mercado para Portugal, é natural que se note uma diminuição", acrescentou.

    Para António Reis, proprietário da Agência Arcos de Newark, Nova Jérsia, a "diminuição nas reservas deste ano" explica-se pelo "clima de incerteza que se vive no mundo do trabalho, pois as pessoas têm receio de perder os seus empregos".

    Em Rhode Island, o estado com maior percentagem de portugueses, João Sousa, da Cardoso Travel, nota uma "baixa considerável" nas reservas para o fim de ano na Madeira, um dos pacotes turísticos mais populares.

    "As viagens para a passagem de ano na Madeira estão praticamente mortas", disse João Sousa, acrescentando que além da crise, "os altos preços em Portugal fazem com as que as comunidades optem por destinos mais baratos na América".

    Em França, Rui Lafayette, da agência de viagens Lusitânia, disse que perdeu "cerca de 40 por cento (das vendas) em relação ao período idêntico do ano passado" e que no transporte rodoviário "perdeu-se mais de 50 por cento das vendas".

    Rui Lafayette não responsabiliza as empresas de aviação low-cost, nem a venda de passagens na Internet, e garante que as pessoas não vão passar o Natal a Portugal porque "não têm dinheiro ou estão com medo do futuro".

    No Canadá, duas das maiores agências de viagens que servem os portugueses em Montreal queixam-se de quebras entre os 10 e os 25 por cento na compra e reserva de bilhetes e pacotes turísticos.

    "A crise existe mesmo. É real", salientou à Lusa José Luís Alexandre, da Agência de Viagens Lisboa.

    "Não somos só nós que nos queixamos. São também todos os meus colegas. No caso da minha agência estamos a ter uma quebra de 20 a 25 por cento nas vendas comparado com o mesmo período do ano passado", adiantou.

    Por seu lado, Rui Serpa, da Agência Algarve, notou que só no final do ano será possível quantificar com mais precisão o volume da quebra a que têm vindo a assistir, calculando que se situe na ordem dos dez por cento face a 2007.

    A contrariar esta tendência, a crise parece estar a passar ao lado dos portugueses residentes na Venezuela, que continuam a viajar para Portugal no final do ano.

    "Os preços das passagens e dos impostos subiram recentemente e não foi pouco, mas mesmo assim conseguir um lugar para viajar por vezes é difícil, até mesmo na classe executiva, principalmente em alturas como o Natal e Ano Novo, o Carnaval, entre outras", explicou a agente de viagens Mary Hernández.

    Vários agentes de viagens frisaram à Lusa que as pessoas estão convencidas que os efeitos da crise só se vão sentir em meados de 2009 e que serão menos intensos na Venezuela do que noutros países, o que não deverá afectar a procura de viagens.
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COMUNIDADES: Crise "obriga" emigrantes a passar o Natal longe de Portugal