O líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, acusou hoje a banca de atrasar a repercussão nos créditos à habitação da descida da taxa de juro internacional, reclamando uma “intervenção de urgência” para baixar as prestações.
“Os bancos atrasam a repercussão da baixa dos juros sobre os créditos à habitação de modo a ganharem com esta diferença de tempo” acusou o líder bloquista.
Francisco Louçã falava à agência Lusa no final do primeiro encontro autárquico do distrito de Beja do Bloco de Esquerda (BE), que decorreu hoje na vila alentejana de Castro Verde.
Durante a sua intervenção na sessão de encerramento do encontro, o líder do BE já tinha feito esta acusação, apelando também a uma “intervenção de urgência” para que, “no fim deste mês, as prestações já sejam mais baixas”.
Louçã justificou o apelo para que as pessoas com créditos à habitação “não sejam ainda mais estranguladas por uma política que os bancos usam” para as fazer “pagar o que perderam na especulação dos casinos e no jogo dos offshores”.
“Isto seria muito importante porque mostraria que havia uma política orientada para proteger as pessoas e não para proteger o sistema financeiro”, defendeu.
Outra das preocupações manifestadas hoje pelo líder do BE prendeu-se com o facto dos funcionários da Função Pública “descontarem para a ADSE durante 14 meses, quando deveriam pagar apenas 12 meses”.
“O Provedor de Justiça declarou que a decisão do Governo de estender para 14 meses o pagamento à ADSE não era correcta e o Governo, há uns meses atrás, comprometeu-se a recuar e a repor a situação”, lembrou.
No entanto, o executivo “ainda não fez esta correcção”, frisou, alertando que o subsídio de Natal aos funcionários públicos será pago dentro de “nove dias” (dia 18), altura em que “poderá ser descontada nova prestação para a ADSE”.
“São 20 euros que, particularmente para as pessoas com ordenados mais baixos, e são muitas, é uma diferença muito substancial”, afiançou.
Como tal, Francisco Louçã apelou ao Governo para “uma correcção” desta situação “em tempo útil”.
“Nos próximos nove dias, o ministro das Finanças (Teixeira dos Santos) tem que cumprir o que prometeu ao Provedor da Justiça, que foi o de fazer a correcção, para não punir os salários dos trabalhadores da Função Pública de uma forma absolutamente inaceitável ”, desafiou.