O telefone do restaurante de Maria do Céu, em Vilela do Tâmega, concelho de Chaves, não parou de tocar durante toda a manhã de hoje. Os seus familiares do estrangeiro queriam saber notícias do menino internado no Porto para exames laboratoriais de despistagem da gripe suína.
A família da criança de três anos chegou à aldeia de Redial, freguesia de Vilela do Tâmega, proveniente dos Estados Unidos da América (EUA) a 21 de Abril.
“Soubemos da notícia pela televisão hoje de manhã. Logo depois disso muitos familiares, nomeadamente os meus filhos que estão no estrangeiro, ligaram para aqui para saber o que se passava e se nós tivemos contacto com a família”, afirmou a proprietária à Agência Lusa.
Maria do Céu disse “nem sequer” conhecer a família do menino, mas reconheceu estar muito preocupada com as notícias que ali chegam através dos meios de comunicação social.
“Claro que estou preocupada com o caso, não só por mim, mas principalmente pelos meus netos e filhos, mas espero bem que isto seja só um alarme”, referiu Maria do Céu.
A família residia no estado norte-americano do Connecticut, onde não se registou até agora qualquer caso de gripe suína, mas regressou a Portugal definitivamente.
A criança está internada no Hospital de São João, no Porto, à espera do resultado dos exames.
Só mediante o resultado desses exames é que, segundo o delegado de saúde do distrito de Vila Real, Manuel Pinheiro, se decidirão eventuais medidas de prevenção.
Caso se confirme tratar-se de um caso de gripe suína, deverá iniciar-se um inquérito epidemiológico junto daqueles que tiveram contacto com o menor.
O caso da criança foi validado para fins de investigação laboratorial depois de ter sido detectado pelos dispositivos do plano de contingência accionado no contexto da gripe suína.
A criança deu entrada no Hospital de Chaves no final de terça-feira, já referenciada pelo centro de saúde daquela cidade, e por isso mesmo “teve um tratamento prioritário”, disse Gil das Neves, adjunto da direcção clínica do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro.
O médico explicou que o menino apresentava sintomas gripais, como febre alta e dificuldades respiratórias, mas o factor determinante para ser accionado o plano de contingência foi o facto de a família “ter regressado dos EUA”.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou no sábado para o "potencial pandémico" do novo vírus da gripe suína, que teve origem na estirpe animal do vírus H1N1, tendo surgido no México.
O vírus - raro segundo as autoridades sanitárias - transmite-se de pessoa para pessoa, tendo sido descoberta uma fonte de transmissão aviária, duas suínas e uma humana.
*** Paula Lima, da Agência Lusa ***
[Fotos de Chaves.blogs.sapo]