terça-feira, 21 de abril de 2009          
 
Na Secundária de Amarante, o termo director não é estranho a ninguém. Fernando Sampaio ocupa o cargo há mais de 18 anos e já passou por todos os tipos de gestão, mas não tem dúvidas em afirmar que o novo modelo é o mais eficiente.
Quando se assinala um ano sobre a entrada em vigor da reforma da gestão escolar, a Lusa ouviu a experiência de quem dirige as escolas públicas, sejam directores, sejam ainda presidentes de conselhos executivos (CE).
"A ideia de um responsável e não de um conselho de responsáveis impõe-se cada vez mais. Nos tempos que correm não podemos ter uma liderança fraca que depende de outras pessoas para tomar decisões e onde ninguém é responsável. Este é o modelo mais eficiente", afirma Fernando Sampaio, de 55 anos (fotos).
Em 1991, o Governo de Cavaco Silva aprovou um decreto-lei que previa a possibilidade de os estabelecimentos optarem também pela figura do director, mas a esmagadora maioria das escolas optou pelo órgão colegial.
"Qualquer órgão colegial é, à partida, mais burocrático porque a tomada de decisões implica uma série de procedimentos. Além disso, a ideia de autoridade dilui-se quando falamos num órgão colectivo", assegura.
No Agrupamento de Escolas D.Dinis, Leiria, Graça Sampaio está a concorrer ao cargo de directora, depois de quatro anos lectivos enquanto presidente do CE e mais de 30 como professora.
Garante que sempre teve em conta as opiniões do conselho pedagógico e das suas vice-presidentes na tomada de decisões e que essa é uma forma de trabalhar que se vai manter... a bem da democracia.
"Um director pode fazer e decidir sem ouvir alguém e julgo que, nesse aspecto, este modelo é um pouco perigoso", diz a professora, de 61 anos.
Estima que, a curto prazo, a diferença entre os dois modelos "não se vai sentir muito", mas que no futuro poderão existir grandes alterações: "será dada mais importância às questões administrativos e financeiras do que propriamente à parte pedagógica e disciplinar".
No Agrupamento de Escolas de Carcavelos, Adelino Calado é director desde 11 de Fevereiro: "Continuamos a funcionar da mesma maneira, apenas houve uma mudança de estatuto e no papel".
"A tomada de decisões continua exactamente igual. A decisão é formalizada por mim, de facto, mas é tomada sempre na procura de consensos", explica, assumindo sentir um pouco mais de pressão, "sobretudo de fora para dentro", já que é a primeira pessoa "a dar a cara" pelo estabelecimento.
Uma das grandes vantagens do novo modelo, adianta, é a possibilidade de ser o director a escolher o subdirector, os adjuntos e todos os coordenadores de departamento, sendo estes últimos antes eleitos pelos professores.
"Haverá efectivamente uma liderança mais forte, mas ao mesmo tempo será a mim que o Conselho Geral pede responsabilidades se algo correr mal".
Para Graça Sampaio, o novo modelo de administração escolar poderá ter outro aspecto negativo, que classifica de "perigoso": a partidarização das escolas.
"O Conselho Geral conta com representantes das autarquias, que fornecem muitos recursos às escolas. É muito fácil isso acontecer, sobretudo em localidades mais pequenas. Basta imaginar um director que não seja da cor política da autarquia".
Já o director do Agrupamento de Carcavelos prognostica que será na avaliação de desempenho que os responsáveis máximos vão sentir "dificuldades": "será o aspecto mais sensível do trabalho do director".
"Será a opinião do director, portanto, nada colegial. É um processo com repercussões na carreira dos professores que poderá vir a isolar o director", diz Adelino Calado.
A propósito deste novo modelo, presidentes de CE de Vila Nova de Gaia estão a ultimar os estatutos da futura Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas, a formalizar no arranque do 3º período.
"Queremos ajudar a construir e discutir a política educativa, mas também ter um papel formativo junto dos associados, que são as pessoas que melhor podem apontar soluções", diz Adalmiro da Fonseca.
O presidente do CE da Secundária/3ºciclo de Oliveira do Douro considera que o modelo deverá tornar as escolas mais "eficazes", mas deixa um aviso: "Vou continuar a fazer uma gestão colegial. Isso depende das pessoas e não da lei".
 
 
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GESTÃO ESCOLAR: Director da Secundária de Amarante há 18 anos diz que o novo modelo é o mais eficiente