terça-feira, 11 de novembro de 2008          
 
    A comercialização de madeira de castanheiro poderá ser em breve uma nova e importante fonte de receita na fileira da castanha transmontana, que é cada vez mais valorizada depois de décadas a servir apenas de alimento para os porcos.
    As perspectivas de crescimento daquele que é considerado dos produtos agrícolas mais rentáveis foram deixadas recentemente num fórum internacional que juntou em Bragança, representantes de quatro países europeus produtores de castanha, Portugal, Espanha, França e Itália.

    Itália é o maior produtor dos quatro, com 90/100 mil toneladas anuais, seguida das cerca de 30 mil toneladas de Portugal, que já conseguiu ultrapassar a vizinha Espanha e produz três vezes mais que a França, embora seja este o país com a maior mancha florestal.

    Mesmo entre estes países, a castanha transmontana, que representa 85 por cento da produção portuguesa, é das mais apreciadas e com exportação assegurada, sobretudo a variedade longal.

    "Os nossos soutos são especialíssimos", garante Maria do Loreto, investigadora do Instituto Politécnico de Bragança, que desde a década de 1980 tem desenvolvido trabalhos nesta área.

    Segundo a investigadora, aquela que até ao século XVIII era considerada a "árvore do pão" (dela fazia-se farinha) ou a "ama de leite", porque as grávidas eram melhores alimentadas quando havia fartura de castanha, é de novo uma promissora "árvore da fartura", com uma fileira que associa à castanha a madeira e a micologia.

    Maria do Loreto acredita que "dentro de alguns anos a madeira do castanheiro será também uma grande fonte de receita para a região", que viu nascer os seus soutos ao longo de gerações da necessidade que os agricultores tinham de madeira para as casas, lenha para se aquecer e castanha para se alimentar.

    Portugal importa actualmente madeira de castanheiro, sobretudo da França, mas, de acordo com a investigadora, sobretudo as novas plantações de soutos que estão a surgir na região já estão pensadas para a estratégia de exploração deste produto.

    Outros dos eixos a desenvolver é o aproveitamento dos cogumelos que abundam junto aos soutos.

    Além de aumentarem a resistência dos castanheiros a doenças como a tinta e o cancro que têm dizimado esta cultura, podem também ser uma fonte de rendimento para os proprietários dos soutos. Desde que, defende Maria do Loreto, se avance de uma vez por todas com legislação para regulamentar a apanha, que actualmente é feita de forma desenfreada.

    No combate às doenças, os países produtores reunidos em Bragança defendem uma actuação conjunta, sobretudo na área da investigação.

    Aos produtores portugueses falta também organização que permita deixar na região o valor acrescentado deste produto e evite ficarem à mercê dos ajuntadores.

    Um exemplo foi dado pela vizinha região espanhola da Galiza onde é publicado no diário regional um contrato de compra e venda que fixa os preços mínimos a pagar aos produtores em cada variedade e calibre.

    Com o aparecimento de outros alimentos, como a batata, a castanha foi relegada de tal forma que na região transmontana serviu durante muito tempo apenas de alimento para os porcos.

    Em poucos anos a situação inverteu-se e começou a ser um produto altamente apreciado, recuperando lugar na gastronomia regional, quer nos pratos principais, quer nas sobremesas ou doçaria.

   

    [Fotos de Confagri e Arquivo]
 
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TRÁS-OS-MONTES: Madeira de castanheiro poderá tornar-se uma importante fonte de receita