O único candidato assumido à Casa do Douro (CD), o jornalista Pedro Garcias, anunciou hoje a sua renúncia às eleições agendadas para 01 de Fevereiro.
“Não me candidato à direcção da CD, nem sequer concorro ao Conselho Regional de Vitivinicultores. De hoje em diante, a CD será um capítulo encerrado da minha vida”, afirmou Pedro Garcias, em comunicado enviado à agência Lusa.
O jornalista e viticultor, natural de Alijó, anunciou a sua intenção de se candidatar à presidência da CD em Agosto, tendo oficializado a sua candidatura no dia 15 de Novembro.
Cerca de duas semanas depois, o único candidato assumido decidiu desistir do organismo representativo de 40 mil viticultores.
“Quando decidi candidatar-me à presidência da CD, fi-lo movido pelo sonho de ajudar a pacificar o sector dos vinhos do Douro e Porto e a sanear as contas da CD, tornando-a de novo numa instituição respeitada, credível e capaz de defender e ajudar todos os viticultores numa época tão difícil como a que atravessamos actualmente”, salientou.
A instituição possui dívidas à banca e ao Estado na ordem dos 100 milhões de euros.
Garcias diz que a sua candidatura foi “uma decisão solitária” e que sempre soube que lhe esperava uma “tarefa difícil”.
O agora ex-candidato salientou que estava “disposto a tudo”, até a desistir de uma carreira de jornalista, mas que “nunca aceitaria recorrer a qualquer meio para atingir esse objectivo”.
Pedro Garcias bateu com a porta à CD deixando para trás duras criticas ao presidente da instituição, Manuel António Santos, que ocupa o cargo desde 1999 e que ainda não anunciou a sua recandidatura.
O mandato da direcção liderada por Manuel António Santos já terminou em Março.
O Conselho Regional de Vitivinicultores, que estava obrigado por lei a convocar eleições nos 90 dias anteriores ao fim do mandato, decidiu prolongar o mandato dos directores porque estavam em curso negociações de muita importância para o organismo duriense.
“Se o exemplo fosse usado pelo poder central, teríamos um Governo eterno, pois há sempre problemas importantes para resolver no país, pelo que nunca se marcariam eleições”, criticou Garcias.
Acusações à Direcção da CD
de manipulação dos viticultores
O jornalista referiu que a actual direcção “vai assim cumprir cinco anos de mandato quando a lei impõe que sejam quatro”.
“E, como se não bastasse ter ganho um ano de salários indevidos, insiste em usar os meios da CD em nome de um projecto de poder pessoal, recorrendo a todos os estratagemas para manipular os viticultores, sobretudo os mais frágeis e vulneráveis. E o pior é que já ninguém se indigna”, afirmou.
Desde a semana passada, a direcção da CD está a fazer reuniões em todos os concelhos da região, intimando os viticultores a assinar uma petição para pedir à Assembleia da República que defina o estatuto da Casa do Douro.
Garcias considerou que o estatuto da instituição já está definido e que as reuniões “não passam de meras sessões de propaganda eleitoral do actual presidente da Casa do Douro”
“Num estado de direito, havendo eleições marcadas, os órgãos em função estão obrigados a fazer apenas gestão corrente, o que não acontece com a actual direcção da CD”, frisou.
A agência Lusa tentou ouvir o presidente da CD, o que não foi possível até ao momento.