Se o H1N1 tivesse aparecido durante o Inverno, grande aliado dos vírus da gripe, as preocupações das autoridades seriam maiores, principalmente as de Portugal onde se registou uma epidemia gripal que terá causado até 1.500 mortos.
António Vieira, virologista no serviço de doenças infecciosas do Centro Hospitalar de Coimbra, explicou à agência Lusa por que razão a gripe é “parceira de Inverno”.
“O frio torna a nossa mucosa um bocado mais permeável e mais sensível, proporcionando assim maior abertura ao vírus”, disse, acrescentando que os ambientes fechados característicos do Inverno, também facilitam os contágios.
Por esta razão, o virologista considera que as preocupações seriam maiores se o H1N1 tivesse chegado no Inverno.
Nos meses de Dezembro e Janeiro do Inverno passado, Portugal registou uma epidemia de gripe que obrigou as autoridades de saúde a estenderem os horários dos centros de saúde e a divulgarem medidas de contenção da infecção.
A epidemia terá causado entre 1.200 a 1.500 mortes, segundo um estudo do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA).
Mas o facto do Inverno já ter passado no Hemisfério Norte não é motivo para sossego, uma vez que a chegada da estação invernal ao Sul expõe este Hemisfério ao H1N1.
Hoje mesmo, o director-geral adjunto da Organização Mundial de Saúde (OMS), Keiji Fukuda, avisou: “É possível que observemos em breve mais manifestações do vírus H1N1 no Hemisfério Sul que no Hemisfério Norte", onde é Primavera.
Como se manifestará o H1N1 é que os especialistas não sabem. “É um vírus novo, para o qual ainda não é claro que haja alguma protecção do indivíduo”, disse.
Por isso, acrescentou António Vieira, “nada garante que, apesar de não ser Inverno, não exista uma propagação do vírus”, porque “tudo é novo”.
“Nada se sabe deste vírus e, principalmente, como vai evoluir a sua agressividade”, insistiu.
Apesar de defender “calma” por parte da população, o virologista reconheceu que a chegada do H1N1 a Portugal é, provavelmente “uma questão de tempo”.