O ministro da Economia e Inovação afirmou hoje que Portugal deixará de importar electricidade entre 2012 e 2014, para o que contribuirá a construção do terceiro tanque no terminal de Gás Natural Liquefeito do Porto de Sines.
“Actualmente, importamos cerca de um quarto da electricidade que consumimos, não vai faltar muito tempo até ultrapassarmos este défice, eu acredito que algures entre 2012 e 2014 vamos deixar de importar”, afirmou Manuel Pinto durante a cerimónia de assinatura do contrato com vista à expansão do Terminal de Gás Natural Liquefeito (GNL), em Sines.
Actualmente, Portugal importa, segundo o ministro da Economia e Inovação, “cerca de um quarto da electricidade que consome”.
“A capacidade de sermos mais independentes no que diz respeito ao gás é muito importante para Portugal, porque o consumo vai aumentar e porque ainda importamos muito, pelo que ficamos autónomos”, destacou.
O investimento da Rede Eléctrica Nacional (REN) na obra de ampliação do terminal de Gás Natural Liquefeito é de 180 milhões de euros em três anos. A ACE, uma parceria entre a Somague Engenharia e a TGE Gas Engineering GMBH é a entidade que venceu o concurso público para a obra, a mesma que iniciou há nove anos o terminal de Gás Natural Liquefeito em Sines.
Está prevista, até 2012, com este investimento, a ampliação da capacidade de armazenagem do terminal de 240 mil metros cúbicos para 390 mil metros cúbicos, com a construção de um terceiro tanque.
“Temos um local onde armazenar o gás, para não nos tornarmos dependentes do exterior” argumentou Manuel Pinho, assegurando que a obra da Rede Eléctrica Nacional “vai permitir o abastecimento a 80 porcento do País, a um nível exemplar, a nível da europa”.
O investimento prevê também a duplicação da capacidade de emissão do terminal de Sines para 1,35 milhões de metros cúbicos por hora.
O terminal de Gás Natural Liquefeito de Sines apresenta actualmente uma capacidade nominal de emissão garantida de 600 mil metros cúbicos por hora, uma capacidade de ponta de 900 mil metros cúbicos por hora e pode carregar até 3 mil camiões cisternas por ano.
O Porto de Sines, onde é descarregado o gás a um nível de três navios por mês, é responsável por 60 porcento do gás que entra no País.
José Penedo, presidente da Rede Eléctrica Nacional, afirmou que “a estratégia nacional de energia tem uma componente de gás que é muito importante”. “Estamos a prever o desenvolvimento da procura da energia eléctrica e do gás”, adiantou.
O objectivo do investimento que vai ser feito pela Rede Eléctrica Nacional é aumentar “a capacidade do terminal se impor aos terminais vizinhos”, salientou.
“Se tudo correr bem, daqui a três anos estaremos a meter o terminal em funcionamento, em Junho de 2012”, conluiu o presidente da Rede Eléctrica Nacional.
Destacando o significado do investimento em tempo de crise, Manuel Pinho afirmou que, para além de investir na energia, estes projectos “dão emprego”.
“Isto são projectos em infra-estruturas que dão emprego, que dinamizam a economia, portanto nós estamos a responder à crise promovendo algo muito bom que é a nossa independência energética, mais eficiência e um modelo de energia novo”.
José Luís Machado do Vale, presidente da Somague, garantiu que a obra vai absorver “220 trabalhadores em média, com 350 ‘em ponta’, com trabalhadores de Sines”.
“O facto da Rede Eléctrica Nacional estar a fazer este investimento no momento certo é uma peça fundamental para podermos desenvolver a nossa política de energia, que é uma política muito equilibrada, na medida em que vamos usar mais gás para produzir electricidade, ao mesmo tempo que vamos fazer uma aposta nas fontes renováveis”, salientou.
O Governo vai apostar “sobretudo na água e no vento”, “o que vai colocar Portugal entre os cinco países da europa e do mundo que mais usam as energias renováveis para produzir electricidade”, garantiu.
“Queremos que as fontes renováveis representem 60 por cento da nossa electricidade”, afirmou o Ministro.
Manuel Pinho frisou ainda que Sines é a “região que está a receber mais investimento no País”, referindo-se aos projectos da “ampliação da refinaria da Galp”, do “equivalente a uma fábrica na Repsol”, do “investimento da La Seda”, da “unidade de ciclos combinados”, da “ampliação do terminal de Gás Natural Liquefeito” e ainda da A26.
AYN.