segunda-feira, 1 de dezembro de 2008          
 
    O edifício está pronto há três anos, custou centenas de milhares de euros, mas as peças que permitirão ‘ver’ como viviam os habitantes da antiga cidade romana de Tongobriga permanecem empacotadas nos armazéns da Área Arqueológica do Freixo.
    “O mais difícil está feito, o edifício está pronto há três anos. Neste momento, não há nenhuma decisão, mas gostaríamos que pudesse ser aberto ao público, pelo menos, em 2010, quando se completam 30 anos sobre o início das escavações neste local”, afirmou Lino Tavares Dias, director da Área Arqueológica do Freixo.

    Esta zona arqueológica, situada nos arredores do Marco de Canaveses, a cerca de 40 quilómetros do Porto, estende-se por 50 hectares de zona classificada, tendo já permitido descobrir alguns dos segredos de Tongobriga, a última cidade romana construída no território que actualmente é Portugal.

    A divulgação desses segredos é o objectivo do edifício envidraçado construído há três anos, com uma área de 250 metros quadrados, onde serão expostas peças descobertas nas escavações. “Pretende-se mostrar, através dos materiais descobertos, como era a vivência do quotidiano num sítio como este, que era uma cidade romana há cerca de 1.900 anos”, salientou o arqueólogo.
    Contactada pela Lusa, a Direcção Regional de Cultura do Norte admitiu que o edifício está pronto, acrescentando que permanece encerrado porque, na gestão das verbas disponíveis, tem sido “dada prioridade a outros projectos mais carenciados em termos de apoio aos visitantes”.

    As escavações realizadas desde Agosto de 1980 permitiram identificar uma cidade romana que teria cerca de 2.500 habitantes, onde antes existia um povoado castrejo. “No final do século I, foi construída uma grande estrutura urbana, com casas e bairros de arquitectura claramente romana, fórum e termas públicas, que se desenvolveu no espaço envolvente, onde foram construídas vilas (quintas agrícolas)”, salientou Lino Tavares Dias.

    Para uma melhor compreensão do espaço, foi decidido criar uma zona de exposição dedicada às peças do quotidiano e outra que abordará os rituais da morte, existindo ainda uma cafetaria/restaurante, com vista directa sobre o enorme espaço do antigo fórum romano.
    “A riqueza deste sítio é ter concentrados no mesmo local aspectos desde a cultura castreja do século I até à cristianização do século V, passando pela forte fase romana”, frisou o arquitecto.

    Apesar deste potencial, o edifício de exposição dedicado ao quotidiano da vida neste local está pronto há três anos mas continua fechado, enquanto o que vai acolher a mostra dedicada aos rituais da morte ainda nem sequer começou a ser construído. Quanto à cafetaria/restaurante, que já tem mesas, cadeiras, louça e talheres, também aguarda a abertura.

    No total, os projectos e as obras de construção do edifício para a exposição da vida quotidiana e da cafetaria/restaurante custaram 1,1 milhões de euros.

    A cidade romana de Tongobriga estendia-se por uma área com mais de 30 hectares, numa zona privilegiada de ligação entre o Tâmega e o Douro. A dimensão do fórum, a grandeza do espaço termal e o complexo sistema subterrâneo de esgotos permitem aos arqueólogos pensar que se tratou de uma povoação importante para a época.

    A cidade, que era servida pela estrada que vinha de Braga, atravessava o Tâmega e o Douro e fazia ligação a Mérida, foi a última que os romanos construíram na região.


 
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MARCO DE CANAVESES: Edíficio pronto há três anos continua encerrado na Área Arqueológica do Freixo