Vital Moreira, candidato socialista às eleições Europeias do próximo dia 07 de Junho, foi hoje insultado e agredido por manifestantes que participaram no desfile organizado pela CGTP, para assinalar o 1º de Maio.
As agressões ocorreram quando um número indeterminado de manifestantes rodeou a delegação do Partido Socialista, que pretendia, como faz habitualmente todos os anos, apresentar cumprimentos à direcção da central sindical.
A delegação incluía, além de Vital Moreira, os dirigentes socialistas Vítor Ramalho e Ana Gomes.
O candidato do PS foi empurrado, cuspido, insultado e, em várias ocasiões, agredido com murros na cabeça e nas costas.
Aos gritos de "traidor" e "mentiroso", por vezes invectivando-o com vários "vai-te embora", Vital Moreira foi obrigado a abandonar rapidamente o local.
Imediatamente a seguir aos incidentes, Carlos Trindade, dirigente da CGTP, em declarações aos jornalistas lamentou o sucedido e apresentou desculpas formais a Vital Moreira e aos restantes elementos da delegação socialista.
"É uma situação grave e quero apresentar desculpas formais da CGTP. Obviamente que Vital Moreira, e a delegação do PS, é bem-vindo à manifestação da CGTP", disse Carlos Trindade.
O dirigente da CGTP salientou ainda que os incidentes "traduzem momentos de desespero e de muito desemprego".
"Houve trabalhadores desesperados que reagiram, em vez de reagir contra a crise, reagiram desta forma desesperada", acrescentou.
"Não esperava de todo esta reacção. Obviamente não culpabilizo a CGTP. Foi um pequeno grupo de pessoas que 35 anos depois do 25 de Abril ainda não partilham valores como o da tolerância", disse.
"Quando se é convidado nunca se espera uma reacção malcriada por parte de quem visitamos. Tratou-se de um pequeno grupo, que resolveu mostrar os seus valores democráticos, da maneira que todos viram", adiantou, de forma irónica.
Já no final dos incidentes, uma jovem, que reclamou falar em nome dos trabalhadores precários, dirigiu-se a Vital Moreira e depois de afastar quem ainda o insultava, disse-lhe: "Quero-lhe pedir desculpa e dizer-lhe que tem todo o direito de estar aqui, em nome da liberdade democrática".
Vital Moreira, Vítor Ramalho e Ana Gomes dirigiram-se entretanto para a manifestação convocada pela UGT.
Vital Moreira diz que foi agredido por ser antigo militante do PCP
O cabeça de lista do PS às eleições europeias, Vital Moreira, considerou hoje que a agressão de que foi alvo no desfile do 1º de Maio da CGTP-IN foi motivada por ter sido antigo militante do PCP.
Vital Moreira foi insultado e agredido por manifestantes que participaram no desfile da CGTP, para assinalar o 1º de Maio.
Falando no final do desfile da UGT do 1º de Maio, o constitucionalista disse que, apesar dos insultos e das agressões de que foi alvo, sentiu-se “sempre sereno e calmo, mas também revoltado” com os incidentes.
“Esses desacatos dirigiram-se a mim pessoalmente, quando eu estava integrado numa delegação do PS, que tinha acabado de cumprimentar a direcção da CGTP-IN. A leitura política é óbvia: infelizmente há pessoas que trinta e tal anos depois do 25 de Abril ainda não perceberam o valor da tolerância democrática. Há um sindicalismo radical e extremista que ali se manifestou”, acusou o constitucionalista da Universidade de Coimbra e antigo dirigente e deputado do PCP.
Nas declarações que fez aos jornalistas, Vital Moreira referiu-se ao seu passado político de opositor do regime do Estado Novo.
“Nasci politicamente a comemorar clandestinamente o 1º de Maio. Portanto só posso repudiar estes desacatos de que fui alvo. Há uma ala radical política, partidária e sindical. Penso que é óbvia a identificação das pessoas com um determinado partido. Não foi por acaso que fui eu o alvo”, disse, numa alusão implícita ao PCP.
Para Vital Moreira, “há partidos que julgam que são proprietários das pessoas, mesmo depois de elas terem saído há 20 anos”.
O cabeça de lista do PS às europeias fez ainda questão de recusar ser caracterizado como um político “ex-PCP”.
“Eu não sou ex-PCP, porque não saí ontem, nem há um ano, nem há dez desse partido. Saí do PCP há 20 anos. Essa ideia de ex-PCP é mal aplicada à situação”, considerou.