A direcção da Adega de Alijó reconheceu que poderá avançar para uma redução temporária do horário de trabalho ('lay-off') devido à diminuição das vendas de vinhos mas garantiu que não vai despedir nenhum dos 19 funcionários.
O presidente da cooperativa, José Ribeiro, em declarações aos jornalistas afirmou que as encomendas da Adega Cooperativa de Alijó diminuíram e consequentemente também o trabalho dentro da empresa.
Como primeira medida, a direcção “deu férias a quatro funcionários da linha de engarrafamento”, de um total de 19 pessoas que trabalham na cooperativa.
Se as encomendas não aumentarem, José Ribeiro reconheceu que a cooperativa poderá “recorrer a um ‘lay-off’ parcial e rotativo, abrangendo três ou quatro funcionários por mês”.
“É uma questão de economia e não de mandar despedir ninguém”, garantiu.
Segundo referiu, a adega registou uma quebra de 20 por cento nas vendas de vinhos de mesa brancos e tintos e um aumento de 15 por cento de moscatel.
Muito preocupados com as dificuldades financeiras da cooperativa estão os funcionários e os cerca de 550 associados, alguns dos quais já não recebem desde a vindima de 2005.
Maria de Fátima trabalha na linha de engarrafamento da adega há 27 anos, mas hoje estava de serviço no posto de vendas.
Esta é uma das funcionárias que tirou “férias forçadas”, as quais vão durar até ao final da próxima semana.
“Depois não sabemos muito bem. Disseram-nos que íamos ter outra reunião para nos dizerem o que se vai passar”, salientou.
A direcção da cooperativa reuniu sexta-feira com os funcionários colocando, segundo o presidente José Ribeiro, “em cima da mesa todas as hipóteses de futuro para a cooperativa”.
“Eles a nós disseram-nos que a adega ia avançar com o ‘lay-off’ e que este se ia manter até à próxima vindima”, salientou Maria de Fátima.
Ana Paula Barros trabalha também na linha de engarrafamento há 21 anos e mostrou-se “muito preocupada” com o futuro “incerto”, explicando que os restantes funcionários “partilham do sentimento de revolta”.
António Barros é viticultor em Presandães, aldeia localizada perto da vila de Alijó. É também um dos cerca de 550 associados da cooperativa que todos os anos ali entregam as suas uvas para a produção de vinhos.
O viticultor salientou que a adega já não lhe paga desde a vindima de 2006.
“Devem-me muito dinheiro. Invisto grande parte da minha reforma na vinha e depois não recebo retorno nenhum”, afirmou.
António Barros disse que foi funcionário da cooperativa durante 30 anos e é por isso que vê “com mágoa” as dificuldades que esta está atravessar.
A este viticultor, juntam-se outras vozes de produtores de Presandães, como Agostinho Vilela que esteve três vindimas sem receber e, por isso, em 2008 já vendeu as suas uvas a outra empresa.
Ramiro Rodrigues cansou-se de esperar pelo dinheiro e optou por ir buscar à adega “40 e tal contos de moscatel, vinho do Porto e espumante”.
Outros agricultores, homens e mulheres, lançaram duras críticas à gestão de José Ribeiro, afirmando que este não “dá explicações a ninguém sobre a dívida da cooperativa”.
O presidente da cooperativa defende-se dizendo que todos os anos são aprovados os relatórios de contas e que a instituição ainda não pode saldar as dívidas com os associados por causa dos investimentos de 1,7 milhões de euros com vista à modernização da cooperativa.
“Se não tivéssemos feito este investimento os sócios tinham as contas em dia”, frisou.
Acrescentou ainda que a cooperativa recebeu 330 mil euros de financiamento comunitário para este projecto, faltando, no entanto, receber mais 380 mil euros.
Em Fevereiro, a cooperativa esteve de portas fechadas alguns dias por causa de uma dívida de 14 mil euros à Direcção das Alfandegas.
“A direcção das Alfândegas tinha dado um mês para se pagar determinada verba e ao outro dia chegaram aqui e nós não tínhamos a verba disponível de imediato, mas dias depois resolvemos a situação”, concluiu.