quarta-feira, 29 de abril de 2009          
 
Os actuais dirigentes do Amarante FC – gerido por uma comissão administrativa, desde Dezembro, pela dificuldade em encontrar um elenco directivo completo – ameaçam deixar o clube sem governo devido à diminuição do subsídio camarário.
A proposta de atribuição de um subsídio ao clube, de um montante idêntico ao do ano passado – oficialmente com o intuito de apoiar a formação dos jovens desportistas –, foi chumbada pela oposição por duas vezes nos últimos dois meses.
Os vereadores da oposição - PSD e Movimento Amar Amarante - aprovaram uma proposta de atribuição de uma verba por atleta federado, o que diminui o subsídio na ordem dos 20 por cento, afectando tanto o Amarante como o Atlético de Vila Meã.
Os dirigentes dos dois clubes recusaram assinar o protocolo resultante dos subsídios aprovados na reunião de 02 de Março e a segunda iniciativa do presidente da câmara, autor da proposta, apresentada nesta segunda-feira, também fracassou.
Na proposta, Armindo Abreu lembrou que "há jovens que, quer pela sua idade, quer por outras circunstâncias, estão na formação sem estarem, necessariamente, federados".
O autarca defendeu ainda que o critério adoptado pelo executivo na decisão do início de Março "não leva em linha de conta a dimensão e importância social do clube, isto é, não faz a diferenciação positiva das associações desportivas com maior relevância social" nem valida "o acréscimo de despesas resultantes de maior número de equipas a disputar campeonatos".
Estes argumentos, porém, não demoveram a oposição, que manteve as posições.
Moura e Silva considera que os clubes devem ser subsidiados por atleta federado e que a diminuição do subsídio resulta de o número de atletas inscritos na Associação de Futebol do Porto ser inferior ao que foi indicado pelo clube da cidade.
O vereador do movimento independente considerou ainda que as críticas do presidente da CA do Amarante FC, divulgadas após a primeira abordagem do assunto, em Março, "foram uma grosseria pública".
A proposta acabou chumbada por três votos contra (MAA e PSD), dois a favor (PS) e uma abstenção (Carlos Silva), numa reunião em que faltou o vereador independente (ex-PSD) Amadeu Magalhães.
 
Futebol juvenil está a servir "de arma de arremesso político"
 
Entretanto, Jorge Pinto, ex-vereador socialista e actual responsável pelas camadas jovens do Amarante FC, reconhece que a sua tentativa de explicar à oposição que está em causa o futuro das camadas jovens (reuniu-se recentemente com o vereador do MAA, Moura e Silva) fracassou.
Para o dirigente associativo, a formação dos jovens atletas do clube da cidade "é assunto demasiado sério para ser usado como arma de arremesso político".
Jorge Pinto lembra que o clube recebia 95 mil euros de subsídio em 2005, quando ainda era liderado por José Clemente, disputava a 1ª divisão distrital da AF Porto e tinha cinco equipas na formação.
Considera, por isso, "insustentável" que relativamente à época 2008-09, em que o clube disputou a 2ª divisão nacional, a autarquia decida atribuir apenas 80 mil euros, numa temporada em que foram inscritas dez equipas de formação.
Na época anterior, o subsídio atribuído pela câmara foi de 100 mil euros.
Jorge Pinto assegura que vai manter o acompanhamento das camadas jovens até ao fim da época, mas nada garante para além de 30 de Junho, a manter-se a irredutibilidade do executivo amarantino.
Relativamente ao futebol profissional, o presidente da CA já ameaçou abandonar o clube no fim das duas jornadas que faltam - a época termina a 10 de Maio.
O Amarante necessita de uma vitória e um empate para se manter na segunda divisão.
 
 
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AMARANTE/SUBSÍDIOS: Clubes de futebol recusam receber menos que nos anos anteriores