sábado, 25 de abril de 2009          
 
O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, apelou hoje à participação activa dos cidadãos nas eleições deste ano, pedindo aos agentes políticos para apresentarem propostas com realismo, autenticidade e sem ilusões, num debate centrado nos grandes problemas do país.
“Aquilo que se promete deverá ter em conta a realidade que vivemos no presente e em que iremos viver no futuro. Dizer que essa realidade será fácil será faltar à verdade aos portugueses. Quem prometer aquilo que objectivamente não poderá cumprir estará a iludir os portugueses”, afirmou Cavaco Silva, no discurso da sessão comemorativa do 25 de Abril, na Assembleia da República.
Numa intervenção dividida em duas partes, com a primeira dedicada à crise que Portugal atravessa e que “não pode ser iludida, o chefe de Estado falou longamente sobre os três actos eleitorais que irão decorrer entre Julho e Outubro - europeias, legislativas e autárquicas - fazendo um apelo directo à participação dos cidadãos.
“O exercício do sufrágio é, sem dúvida, a melhor homenagem que poderemos prestar à liberdade conquistada há 35 anos”, disse, fazendo um “apelo directo” aos cidadãos para que “participem activamente” nas eleições, porque “a abstenção não é solução” e quem não vota abdica do direito de contribuir para “a construção de um Portugal melhor”.
Depois do apelo à participação eleitoral, Cavaco Silva dirigiu-se aos agentes políticos e à comunicação social, advogando campanhas eleitorais “esclarecedoras”, com os jornalistas a dever informar “objectiva e imparcialmente” sobre as propostas das forças políticas.
Aos políticos, o Presidente da República pediu para que “saibam dar o exemplo”, concentrando-se num debate sobre a “resolução dos grandes problemas que o país enfrenta”, com propostas com “realismo e autenticidade”.
“Este não é, seguramente, o tempo das propostas ilusórias. Este não é o tempo de promessas fáceis, que depois se deixarão por cumprir. A crise obriga acrescida de prometer apenas aquilo que se pode fazer, com os recursos que temos e no país que somos e iremos ser”, salientou.
 
“Não podia estar mais de acordo com o Presidente da República”, contrapõe Sócrates
        
O primeiro-ministro afirmou-se hoje totalmente de acordo com o discurso proferido pelo Presidente da República na sessão solene do 25 de Abril, destacando os seus apelos ao voto e à necessidade de propostas concretas contra a crise.
"Não podia estar mais de acordo com o discurso do senhor Presidente", declarou José Sócrates em relação à intervenção proferida pelo chefe de Estado na Assembleia da República.
Segundo o primeiro-ministro, o Presidente da República "convocou os portugueses para votarem e empenharem-se nas escolhas políticas - e é o que vamos fazer este ano"".
"Em segundo lugar, o Presidente da República chamou a atenção para que os políticos se concentrem nas propostas para resolver os problemas em concreto do país, que são muitos e que derivam de uma crise internacional muito severa e exigente. Essa crise vai convocar naturalmente a energia de todos", frisou o primeiro-ministro.
Na intervenção do Presidente da República, José Sócrates destacou ainda o facto de se ter chamado a atenção para "a necessidade de uma reforma das instituições internacionais, que não mais permitam os escândalos do passado".
"Muitos abusaram da liberdade do mercado, que é também uma condenação das ideologias que viam no mercado livre a solução para todos os problemas. A regulação internacional é absolutamente essencial", acrescentou.
[Fotos Lusa]
 
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25 DE ABRIL: Cavaco pede propostas com realismo e autenticidade, Sócrates diz que não podia estar mais de acordo com PR