domingo, 3 de maio de 2009          
 
Um grupo de marcas automóveis defendeu alterações à fiscalidade sobre a compra de carros e incentivos ao abate de usados, como medidas que Governo pode implementar para combater os efeitos da crise nas vendas do sector.
"O quadro fiscal como está não serve. É altamente limitativo, deturpa e distorce o verdadeiro potencial do mercado português. [A alteração do imposto automóvel] é uma medida estruturante que um Governo um dia terá a coragem de alterar", defendeu Licínio de Almeida, director da Audi em Portugal, em declarações à Lusa.
A opinião é partilhada pelo director da Volkswagen, José Duarte, que aponta a elevada fiscalidade que pesa sobre o sector automóvel em Portugal como um travão ao crescimento do mercado de vendas nacional.
"Tem havido várias conversas entre o Governo e os players deste sector. Temos alguns exemplos de outros países europeus que aquilo que melhor funciona são medidas que instiguem o consumo e não medidas directamente de apoio à actividade na sua componente mais directa", disse José Duarte.
Apesar das condicionantes fiscais apontadas pelo seu director nacional, a Volkswagen diz ter conseguido nos primeiros dois meses do ano resultados "relativamente positivos", com quebras na ordem dos 32 por cento, ligeiramente abaixo da média nacional, com valores que rondam os 43 por cento.
Já a Audi teve um desempenho ao nível das vendas com quebras em linha com a média nacional, ligeiramente superiores a 40 por cento.
Outras marcas com forte representação no mercado nacional, a Renault e a Toyota, procuram aproveitar os incentivos do programa do Governo para abate de carros em fim de vida como pilar da estratégia para contrariar o declínio das vendas.
A Renault optou ainda por juntar a esta ajuda facilidades no crédito, com taxas de juro de zero por cento, a oferta do seguro para o primeiro ano, procurando ainda a capitalização da marca no mercado com o lançamento de novos produtos, disse à Lusa o director de comunicação da marca em Portugal, Ricardo Oliveira.
"Há um conjunto de iniciativas que podem ser tomadas, o incentivo ao abate é uma iniciativa importante. Tendo em conta a situação em que estamos, acho que é altura de se olhar para o facto de os automóveis em Portugal serem demasiados caros. E são-no por via de uma fiscalidade que é elevada. O peso dos impostos é de facto pesado e esse parece-nos ser o principal problema", defendeu o director de comunicação da Renault.
Também a Toyota aproveita o programa de incentivo do Estado de abate a veículos em fim de vida, juntando outras medidas como a revisão de preços dos carros há mais tempo no mercado e ofertas de equipamento de série "em resposta ao mercado", disse a directora de comunicação e marketing da Toyota Caetano Portugal, Paula Arriscado.
"Não posso garantir que seja a estratégia mais acertada, dada a grande incerteza", admitiu a representante da marca, que disse também que no momento a grande preocupação é com a racionalização de despesas e investimentos e com a salvaguarda dos postos de trabalho.
Sem adiantar números que clarifiquem o comportamento da marca em termos de vendas nos últimos meses, Paula Arriscado reconheceu que os primeiros meses do ano foram meses "muito maus".
Já a Renault começou o ano com quebras na ordem dos 50 por cento, mas acredita numa retoma no segundo semestre, com base numa recuperação da confiança dos consumidores e num acesso ao crédito mais fácil.
"Hoje a confiança e o acesso ao crédito são dois travões importantes no sector", sublinhou Ricardo Oliveira, que alertou ainda para a possibilidade de os concessionários serem as primeiras vítimas colaterais da crise no sector.
"Antevemos muitas dificuldades se a crise se mantiver por muito tempo. É insustentável suportar quebras de 40 por cento durante muito tempo. Em primeira instância serão afectadas as redes de concessionários. Aí não é difícil prever que vamos assistir a uma série de falências", disse Ricardo Oliveira.
A Toyota, a Audi e a Volkswagen garantem que a sua rede de concessionários está sólida e afirmam desconhecer dificuldades ou riscos de falência, ainda que o admitam como possibilidade futura.
 
 
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AUTOMÓVEL: Marcas defendem reduções na fiscalidade e incentivos ao abate