terça-feira, 2 de dezembro de 2008          
 
    A Plataforma Sindical de Professores prevê que a adesão à greve nacional convocada para quarta-feira seja superior a 90 por cento, o que, a verificar-se, fará desta paralisação a maior ou uma das maiores dos últimos 20 anos.
    "Será uma greve histórica, provavelmente a maior ou uma das maiores de sempre, o que vai demonstrar, mais uma vez, a grande coesão dos professores. Os sindicatos estão todos unidos para exigir ao Ministério da Educação (ME) que abandone a sua postura intransigente e aceite suspender este modelo de avaliação para negociar outro alternativo", afirmou o porta-voz da Plataforma, Mário Nogueira.

    Em declarações à Agência Lusa, o também secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) garante que a adesão ao protesto ficará acima dos 90 por cento, igualando ou até superando as greves realizadas no final da década de 1980, então motivadas pela aprovação do primeiro Estatuto da Carreira Docente e que ficaram para a história como as maiores de sempre no sector.

    Por isso, Mário Nogueira não tem dúvidas em afirmar que "o mais fácil amanhã [quarta-feira] vai ser contar as escolas que se mantêm abertas e com aulas".

    A decisão de encerrar os estabelecimentos de ensino cabe aos conselhos executivos, que podem decidir manter os portões abertos mesmo que a adesão seja total, desde que se encontrem na escola todos os funcionários e auxiliares.

    "Pode até haver uma adesão de 100 por cento e algumas escolas continuarem abertas, com os alunos nos pátios, acompanhados dos auxiliares. Mas isso não deverá ser o mais provável, até por razões de segurança. Muitos conselhos executivos vão decidir encerrar", explicou o porta-voz da Plataforma, indicando como exemplo as regiões da Guarda e Coimbra, onde diz ter informações que apontam para o fecho de quase todos os estabelecimentos.

    A confirmar-se o cenário, o presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP), Albino Almeida, antevê "transtornos muito grandes" para as famílias e, consequentemente, para as empresas, que poderão confrontar-se com vários empregados ausentes.
    "Os pais vão deslocar-se normalmente às escolas para deixar os filhos e agirão conforme o que estiver a acontecer. Se as escolas fecharem, é provável que muitos tenham de faltar ao trabalho ou, pelo menos, de chegar atrasados para levar os filhos ao ATL ou a casa de algum familiar", afirmou.

    Os centros de actividades de tempos livres (ATL) são, muitas vezes, a solução mais fácil para os pais. As instituições particulares de solidariedade social (IPSS), que detêm a maioria dos ATL, já estão "habituadas" a receber mais crianças em dias de greve, tanto de professores, como de funcionários.

    "Quando há interrupções lectivas ou as escolas fecham por qualquer outra razão, sobra sempre para os ATL, que estão na retaguarda. Vamos certamente acolher muitas crianças, mas não fizemos nenhum planeamento específico para esta situação. Estamos habituados", disse à Lusa José Carlos Batalha, da União das IPSS de Lisboa.

    Com o braço de ferro entre sindicatos e ME sem fim à vista, pelo menos para já, o cenário de escolas fechadas ou repletas de alunos nos pátios deverá repetir-se ainda este mês, com a realização de novas greves, desta vez regionais, já agendadas para a semana de 09 a 12 de Dezembro.

    Até lá, a Plataforma de sindicatos promete não abrandar a contestação, estando também já marcada para quinta e sexta-feira uma vigília de professores em frente ao Ministério, em Lisboa.

    As acções de luta contra o modelo de avaliação de desempenho definido pelo Governo foram decretadas na manifestação nacional que, a 08 de Novembro, reuniu cerca de 120 mil professores em Lisboa.

   


 
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EDUCAÇÃO: Plataforma Sindical prevê adesão à greve superior a 90% dos professores