O comandante dos bombeiros de Bragança, José Fernandes, apontou hoje como "o meio mais necessário" desta corporação um veículo apropriado para desobstruir vias em caso de nevões como o do último fim-de-semana.
O comandante disse que "já fez sentir a quem de direito que faz falta", mas porque é "um carro caro" a corporação tem de esperar por disponibilidade financeira da tutela.
Segundo explicou, trata-se de um veículo multifunções com um "kit" que permite a sua adaptação com pás e um contentor para espalhar na neve e com o equipamento necessário para o combate a fogos no Verão.
"Os vizinhos espanhóis têm dezenas", observou, enquanto que actualmente a corporação da cidade transmontana onde praticamente neva todos os invernos, dispõe de um que só permite fazer parte da tarefa.
O mesmo carro todo-o-terreno que no Verão combate incêndios florestais ajuda no Inverno a minimizar os efeitos da neve, porém, segundo explicou, só permite que seja colocada uma espécie de pá à frente.
O carro não tem condições para a instalação do equipamento necessário para espalhar sal, o que evitaria a formação de gelo e a acumulação da neve depois de limpo o piso.
Um veículo com a duas funções a circular permanente na cidade evitaria o caos que habitualmente se gera com viaturas atravessados e imobilizadas.
Os bombeiros de Bragança acorreram a vários casos na última sexta-feira, que o comandante atribui também "à irresponsabilidade dos condutores".
"É uma irresponsabilidade andar de carro nestas circunstâncias como se nada fosse", afirmou.
Apesar de a região ser visitada pela neve habitualmente, embora por curtos períodos, são raros os condutores que apetrecham as viaturas com dispositivos adequados como correntes de neve.
O comandante garantiu que os bombeiros conseguiram "ir a todo o lado e todas as solicitações foram atendidas", incluindo de emergência médica, já que a corporação tem duas ambulâncias todo-o-terreno.
Em outros veículos com as mesmas características, os bombeiros fizeram chegar, sobretudo a idosos das aldeias do concelho, refeições que habitualmente são distribuídas por instituições de solidariedade e que não tinham condições para assegurar o serviço por causa da neve.