O líder do PCP, Jerónimo de Sousa, insistiu hoje numa “ruptura” com a “política de direita” do PS e afirmou que os comunistas serão poder “quando o povo português quiser”, sem ficar “à espera de lugares oferecidos”.
No discurso de encerramento do XVIII Congresso Nacional, em Lisboa, Jerónimo de Sousa voltou ao tema da convergência de esquerda, em que fecha a porta a entendimentos com o Bloco de Esquerda e o PS, e disse que é com a “luta” dos portugueses que “se dará a ruptura e a mudança”, numa “ampla frente social”.
Essa “frente”, afirmou, deve transformar “a oposição social em oposição política no apoio a uma força portadora de uma política e uma alternativa de esquerda – o PCP”
“A nossa participação no poder será quando o povo português quiser e, quando o for, será sempre com base numa política de verdade”, afirmou Jerónimo de Sousa num discurso de meia hora, minutos depois de ser aclamado de pé pelo congresso.
O secretário-geral dos comunistas foi eleito por unanimidade pelo Comité Central.
Jerónimo de Sousa ironiza
que Bloco não suporta as críticas
O líder do PCP, Jerónimo de Sousa, respondeu hoje às acusações de sectarismo do Bloco de Esquerda, ironizando que os bloquistas não suportam as críticas.
Sem nunca referir directamente o nome do Bloco no discurso de encerramento do XVIII congresso do partido, em Lisboa, o secretário-geral dos comunistas criticou os bloquistas ao considerar que “está longe de ser clara a assunção da necessidade de uma ruptura e de uma nova política”.
No final de três dias da reunião magna do partido, Jerónimo disse que os comunistas não se limitaram à critica e ironizou como “é curioso que há quem não a suporte, se julge acima de qualquer caracterização crítica”.
“Eles, tão lestos a rotular e a criticar o nosso partido”, disse, sem nunca referir-se à polémica com o Bloco devido ao seu discurso inicial, sábado.
Na abertura do congresso do PCP, sábado, o Bloco de Esquerda foi apresentado por Jerónimo de Sousa como um partido "socialdemocratizante disfarçado por um radicalismo verbal esquerdizante" e que tem uma fixação no PCP, "caindo muitas vezes no anticomunismo".
No dia seguinte, o líder do BE, Francisco Louçã, disse estranhar que “Jerónimo de Sousa queira fazer como notícia do congresso o ataque mais sectário jamais feito ao Bloco de Esquerda”.