quinta-feira, 13 de novembro de 2008          
 
    Durão Barroso garantiu hoje em Bruxelas que a Comissão Europeia "vai dedicar uma atenção muito particular" aos preços dos combustíveis praticados na Europa, afirmando que no caso português "com certeza" a Autoridade da Concorrência também estará atenta.
    Referindo-se ao facto de a redução dos preços da gasolina e do gasóleo não estarem a reflectir a queda, mais acentuada, dos preços do petróleo, o presidente do executivo comunitário comentou que "é estranho que neste caso a lei da gravidade não se verifique" e que "os preços não baixem como sobem".

    "Espero que o preço da matéria-prima venha agora a reflectir-se também no preço de venda ao público e isso não tem acontecido de forma transparente", apontou.

    Durão Barroso afirmou que "a Comissão tem que seguir estes assuntos e deve fazê-lo em cooperação com as autoridades nacionais".

    Questionado em concreto sobre a situação em Portugal, o presidente da Comissão limitou-se a dizer que "no caso português com certeza que a Autoridade da Concorrência também está a fazer esforços nesse sentido".

    "Há autoridades nacionais de concorrência que devem cumprir naturalmente os seus mandatos, a Comissão Europeia vai dedicar uma atenção muito particular a este assunto e se verificar que há comportamentos que não respeitam as regras da concorrência actuará como sempre tem vindo a fazer", afiançou.

    Barroso falava numa conferência de imprensa em Bruxelas, na apresentação do pacote da Segunda Análise Estratégica da Política Energética efectuada pela Comissão Europeia, com propostas relativas à segurança, solidariedade e eficiência energéticas.

    Na passada segunda-feira, a associação de defesa do consumidor DECO afirmou que as reduções feitas pelas petrolíferas aos preços dos combustíveis são "insuficientes e não reflectem totalmente a descida do custo do petróleo".

    "Desde que o custo do barril do petróleo começou a descer, no início de Julho, os preços médios em Portugal fixaram-se sempre acima dos de Espanha e da média europeia", apontou a DECO.

    Há cerca de um mês, o Automóvel Clube de Portugal (ACP) considerou que os indícios de concertação no mercado dos combustíveis ibérico eram "claros" e deveriam suscitar a intervenção da Comissão Europeia, o que foi desde logo refutado pela Galp Energia.


 
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COMBUSTÍVEIS: Durão Barroso também estranha que preços não acompanhem descida do petróleo